terça-feira, 29 de maio de 2012

CPMI

Ouvindo o seu Demóstenes Torres depondo hoje no Conselho de Ética do Senado, lembrei desta charge:

publicada em 21 de novembro de 1993, no jornal "Pioneiro" de Caxias do Sul

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Despedidas

 SamPaulo homenageava com charges os que morriam.
Aqui algumas delas, com a data da sua publicação no jornal Zero Hora:

25/3/1986 Maurício Sirotsky Sobrinho

11/1/1987 Alcides Gonçalves
 (sendo recebido por seu parceiro Lupicínio Rodrigues)

8/3/90 Luiz Carlos Prestes

8/5/1990 Elizeth Cardoso

23/11/1993 Grande Otelo

2/5/1994 Airton Senna 


20/4/1994 Dener  

6/5/1994 Mario Quintana

24/6/1995 Aparício Silva Rillo

23/1/1097 Enio Andrade  

E também foi homenageado no dia seguinte à sua morte:
no Jornal do Comércio

na Zero Hora


domingo, 27 de maio de 2012

SamPaulo também fez versos





Publicado quando completou 50 anos, em 3 de maio de 1981
(Zero Hora/ POA)




Campo de Cupins




Fiz da minha vida um campo minado
de pequenos cupins, com seus montinhos...
E escondi em cada um destes morrinhos
as lembranças dos amores do passado.

Um dia censuraram-me os vizinhos:
-"Que campo horrível! Todo encaroçado!
Aplaina tudo ai!...Passa um arado
e deixa-o como os nossos, bem lisinhos."

Assim fiz! Usei dragas e tratores!
Raspei do chão os restos dos amores
e nele plantei relvas e jardins!

E hoje, às tardes, quando o sol declina
e eu mateio só, ninguém imagina
a falta que me fazem os cupins...



Publicado em "Seleta de versos" com os poemas 
 vencedores de concurso promovido pela 
Associação de Autores São-Luizenses em 1992.
Foto de André Bonacin

sábado, 19 de maio de 2012

Mais tres charges de futebol!


Charge publicada no jornal Zero Hora de Porto Alegre, quando o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ganhou seu primeiro campeonato nacional, em 1981. 
O Sport Club Internacional já tinha ganho três campeonatos nacionais: em 1975, 1976 e em 1979.



As duas charges abaixo foram também publicadas na Zero Hora, em 1986. 

Nesta época, tanto Sócrates como Maradona enfrentavam sérios problemas com drogas. 
Socrates com álcool, droga lícita que, infelizmente, o levou à morte. E Maradona com cocaína, cujo consumo abandonou em 2004.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Legalidade

A Legalidade foi um movimento de resistência que ocorreu durante 14 dias no Rio Grande do Sul, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. Liderado por Leonel Brizola (então Governador do Estado) e massivamente apoiado pela sociedade, defendia a posse do Vice-Presidente da República, João Goulart. Os militares e alguns setores políticos queriam o rompimento da ordem jurídica com o impedimento da posse de Jango e com a convocação de novas eleições.
Para colaborar com a arrecadação de fundos, SamPaulo fez algumas charges que foram impressas e vendidas. Aqui duas delas:

 Getulio Vargas suicidou-se em um dia 24 de agosto, 7 anos antes. O "corvo" era Carlos Lacerda, que ganhou este apelido do jornalista Samuel Wainer.




Em 1991, nos 30 anos da Legalidade SamPaulo publicou esta charge no jornal ZH:
A foto é do Palácio Piratini, sede do Governo do Estado/ RS




- mais informações sobre a Legalidade em http://www.legalidade.rs.gov.br/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Charges muuuuuuuuuuuuuito atuais!

Publicada no Jornal "A HORA", de Porto Alegre, nos anos 50:



As charges que seguem foram publicadas no jornal "ZERO HORA", de Porto Alegre.

em 5 de abril de 1988 

em 26 de agosto de 1982

em 5 de abril de 1994


terça-feira, 8 de maio de 2012

Sim, é verdade, uma charge pode mudar uma eleição!


Este é um trecho do texto da Wikipédia para o verbete "Euclides Triches":

Em 1955, Triches concorreu à prefeitura de Porto Alegre, sendo derrotado por Leonel Brizola, do PTB. Na ocasião, teve forte repercussão uma charge do cartunista Sampaulo, onde se via Walter Peracchi Barcelos apresentando Porto Alegre para o candidato Triches, que se mudara para a capital fazia poucos meses. Publicada no Diário de Notícias, foi reproduzida pelo Clarin, jornal do PTB, e hoje é apontada como um dos fatores da derrota de Triches.





domingo, 6 de maio de 2012

SamPaulo compôs em parceria com o violonista Darcy Alves: Amor à toa

Para ouvir clique aqui: amor à toa


Nosso amor tá muito à-toa
Nosso amor vai sê um fracasso
Quando eu gosto da garoa
Ela gosta do mormaço

É como barco sem vela
Domingo em praia sem sol
Como cinema sem tela
Pescaria sem anzol
Fique ela com a novela
Que eu vou prô futebol

As empadas do SamPaulo

Agora um "causo" publicado em 28 de agosto de 2007 pelo jornalista Fernando Albrecht, seu amigo, no site http://www.fernandoalbrecht.com.br/ 


O falecido chargista Sampaulo freqüentava, entre outros tantos bares e butecos, um bar na rua Fernando Machado. Era pequeno, cheio de jornalistas e histórias. A empada era muito boa, mas pequena, diminuta como caráter de mafioso. Ocorre que o proprietário do estabelecimento era mão-de-vaca e estendia este conceito para as comidas e bebidas da casa. Mais ainda, fazia questão de dizer com orgulho que suas empadas, muito raramente, tinham azeitonas. Sampaulo chegou, sentou-se na mesa do Juvenal, pediu a sua eterna cuba-libre e quatro empadas. Na primeira dentada, descobriu uma azeitona e fez ar de júbilo como se tivesse se achado uma pepita de ouro. - Sorte tua - resmungou o Juvenal. As ordens na cozinha são de uma a cada 10 ou 12 empadas. O chargista então começou a comer a segunda empada. Outra azeitona. - Sorte, de novo. Na terceira, de novo o Sampa se deparou com o verde fruto. Aí o Juvenal fez cara feia em direção à cozinha. - Muita sorte. Tu é sortudo, Sampaulo. Mas não vai se repetir. A essa altura, todas as rodas do bar estavam de olho na mesa, um suspense como se fosse uma rodada de pôquer em filme de caubói. Sampa abriu a quarta empada e bingo!, outra. Juvenal nem discutiu. Levantou da mesa e foi dar uma porrada na cozinheira.

"...as ordens para aa cozinha são de uma azeitona a cada 10 empadas"

Respeito aos animais

Há muito tempo SamPaulo já estava nesta onda, rsrsrsrs...

Charge publicada no livro "Humor Verde"/ coletânea de cartoons ecológicos 
Editora Tchê!, 1990

sábado, 5 de maio de 2012

Sofrenildo

Eis o mais famosos personagem criado por SamPaulo! Originalmente, as "tiras" eram publicadas no Correio do Povo, depois no jornal Zero Hora, ambos de Porto Alegre/RS.










quinta-feira, 3 de maio de 2012

Neste álbum, o trabalho de SamPaulo na Revista do Globo, nos anos 60.

https://plus.google.com/photos/101526078551574768338/albums/5323451456189339505


Charge premonitória?

SamPaulo era fanático torcedor do Sport Club Internacional de Porto Alegre! Infelizmente, faleceu em 1999 e não pode ver a maior das vitórias do seu time do coração: a Copa do Mundo de Clubes FIFA de 2006.
 Mas, olhem só a charge que ele publicou no jornal Zero Hora nos anos 90!


E vocês lembram da chamada veiculado pela RBSTV em 2006? 
Dizem que nada se cria, tudo se copia, rsrsrsrsrs




quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sampaulo, dez anos depois


escrito pelo jornalista Jayme Copstein em 7 de setembro de 2009 e publicado no site Coletiva.net


Sampaulo está morto há exatos dez anos. Com ele convivi e fomos amigos durante 43 anos. Encontramo–nos pela primeira vez em 1956, na redação do jornal aHora (assim mesmo, com o “a” minúsculo), onde ele desempenhava o duplo papel de chargista e diagramador. Na imprensa daquela época, pelo menos no Rio Grande do Sul, considerava–se o humor atividade diletante. As empresas não admitiam pagar só “por aquilo”. Não tinham consciência do conteúdo social e político das piadas e dos desenhos e o quanto atraíam os leitores.
Tinha sido assim com o Zeca Sampaio, irmão do Sampa, que arrancou gargalhadas com o homenzinho mijão da Revista do Globo, mas preferiu ser funcionário da Justiça Eleitoral, para garantir o pão de cada dia; com o Saul Silva, o Mr. Ioso, da antiga Folha Esportiva, que voltou para a cidade do Rio Grande, tornou-se desenhista de publicidade; com o João Bergman, que encontrava o lado engraçado de todas as coisas em O Domingo é meu, mas tinha de ser repórter e redator; com o Carlos Reverbel e o Carlos Raphael Guimaraens, que apesar das suas crônicas primorosas, tinham também de ser editorialistas.
Lembro bem deste primeiro encontro com Sampaulo. Eu morava em Rio Grande, dividia minha vida entre um consultório dentário e a sucursal de aHora, seguindo a compulsão profissional com a qual nasci. Tinha vindo a Porto Alegre para trazer uma reportagem sobre a universidade que se pretendia erigir na minha cidade – é a FURG, hoje - e me coube trabalhar com ele, para confeccionar títulos, cartolas e legendas.
Como estávamos na idade de reformar o mundo, ele tinha 25 anos, eu 28 – aliás, jamais deixamos de reformar o mundo apesar do tempo decorrido, e acho que esse é o segredo da nossa sobrevivência – adivinhávamos que aquele jornal não teria longa vida. E fomos filosofar na mesa do bar mais próximo, na avenida São Pedro, onde nos identificamos pelo amor à profissão e pela identidade da visão política.
Aquela conversa jamais terminou. Foi continuada sempre, quer estivéssemos trabalhando no mesmo veículo ou não. Freqüentávamos os mesmos ambientes, desde a famosa “mesa da diretoria” do restaurante Dona Maria ao bar da Associação Riograndense de Imprensa, que ele freqüentou religiosamente aos sábados de manhã, até adoecer. Lá deixou também o registro do seu talento, fazendo rir seus colegas, entre eles particularmente o jornalista Alberto André, presidente da entidade, a quem presenteava com uma caricatura nos aniversários redondos – 50 anos, 60 anos. Essas caricaturas estão lá, emolduradas, e integram o patrimônio da entidade.
Encontrávamo–nos também, na cerimônia de entrega dos Prêmios ARI de Jornalismo. Durante os 40 anos em que o concurso tem sido realizado, o Sampaulo foi primeiro lugar em 20 deles. E sempre que também me tocava uma premiação, ele tinha uma frase característica – Estamos aí. A frase fora herdada da amizade com o Agenor, adolescente que fora contínuo do velho Diário de Notícia.
O Agenor ganhava salário mínimo, o Diário atrasava sempre o pagamento, mas ele, como o Sampaulo, não reclamava de nada. Quando lhe perguntavam como andavam as coisas, o Agenor respondia – “Estamos aí!”. A frase apaixonou o Sampaulo, que inclusive a tornou nome de uma seção que fez para a Folha da Tarde. E sempre que desejava comemorar o que fosse, falava – "Estamos aí."
Uma vez tentei entrevistar o Sampaulo. Era fevereiro, véspera do dia de Nossa Senhora dos Navegantes, nos cinemas, fazendo furor, o filme Tubarão. Acabou não saindo entrevista alguma, ele fez na hora uma charge, me deu o original de presente.
Tentei fazê-lo falar sobre o seu processo de criação. Ele tinha acabado de ganhar prêmio, pela primeira vez, no Salão Internacional do Canadá, com uma charge sobre a criação do mundo: Adão e Eva atrás de um arbusto, perplexos, vendo sair da “máquina de fazer vida”, bichos estranhos como o camelo, o rinoceronte, o hipopótamo. Adão comenta: “O ‘Velho’ não está nos dias dele”.
Perguntei como percebia este lado tão engraçado das coisas. Lembro–me de ter falado no Papa João 23, também humorista, que liquidou a malquerença do cardeal Tardini com uma piada. Tardini sempre se referia a ele como “aquele lá de cima”, apontando o 2º andar onde o Papa tinha seus aposentos privados. João 23 chamou Tardini e lhe disse: “Aquele lá de cima é nosso amado Senhor. Eu sou apenas aquele lá do segundo andar”.
Chegou–se à conclusão de que o humor nasceu na primeira cirurgia, quando o ”Lá-de-cima” esculpiu a mulher de uma das costela de Adão. Sampaulo me disse que este hipotético flagrante poderia ser criado de várias maneiras. Bastaria desenhar uma mulher sedutora e pôr expressão admirativa em Adão olhando para cima, com a legenda “Quem sabe, sabe”, se o chargista estivesse de bom humor. Ou então, se estivesse de mau humor, mudar a legenda para “Precisava complicar?”.
Não precisava, não. Bastava não deixar morrer gente como o Sampaulo.

Colorado!

SamPaulo era um torcedor tão fanático do Sport Club Internacional que dizia que queria ser sepultado no cemitério João XXII, em Porto Alegre, de onde se vê o estádio do Grêmio Futebol Porto Alegrense. E porque? Só para poder secar o histórico adversário...











Zero Hora, 26 de agosto de 1997

Folha da Tarde, 28 de agosto de 1972


Homenagem a Falcão, então jogador do Inter



Escrito por Luiz Fernando Veríssimo, em novembro de 1998





Tem gente que a gente bota num pedestal e, mesmo sem querer, trata como um monumento. Não sei se o Sampaulo notou que, na primeira vez em que falei com ele, eu estava falando com uma estátua. Eu era seu admirador – eu e toda a torcida do Grêmio e do Internacional juntas – mas não me lembro se disse isto ou se não disse nada, e só fiquei ali curtindo aquele fato, o Sampaulo, o Sampaulo da “Folha”, na minha frente, em carne e osso. Ou em bronze.
Mas o que eu queria dizer é que o próprio Sampaulo nunca se pôs num pedestal, embora tivesse todo o direito de andar com um embaixo do braço. Ele era uma das personalidades da cidade, um dos grandes jornalistas de uma época de jornalistas inesquecíveis. E, no entanto, lembro dele lá em casa cercado de guris cartunistas, numa das tantas vezes em que nos reunimos para bolar coisas que nunca aconteceram (ou aconteceram pouco) e nenhum dos guris estava sentado aos seus pés, nem metaforicamente. O Sampaulo participava das reuniões como se fosse um iniciante. Ali, no chão, com a gente. E o monumento tomava cerveja!
Não sei se ele vai gostar destas reverencias. Afinal, o negócio dele sempre foi a irreverência, o ofício de botar o dedo em feridas e derrubar posudos dos seus pedestais. Mas quando fizerem a estátua mesmo, eu quero colaborar.